Viagem de Barco no Rio Amazonas de Manaus à Belém.

Já tinha viajado pelo Rio Amazonas em 2014, porém uma viagem mais longa, desde Yurimáguas, no Perú, até Belém do Pará, no Brasil. Dessa vez apenas de Manaus a Belém. Por mais que faça um mesmo trajeto ou visite um mesmo lugar, a viagem nunca será a mesma. Quatro anos mais tarde estava eu novamente prestes a viajar no maior rio do mundo.

Final de tarde em alguma cidade as margens do rio Amazonas.


Em Manaus, depois de negociar o preço da passagem com algumas vendedoras, saí para comprar uma rede e aproveitei para comer um pouco, um guaraná e dois pedaços de bolo de milho em uma barraquinha de uma senhora na calçada, depois de elogiar o bolo, acabei ganhando um desconto.

Amazônia.

O barco só sairia no dia seguinte, sem dinheiro para ficar em hotel, voltei para o barco para passar a noite, pois o mesmo sairia às 11:00 da manhã, mas acabou saindo um pouco mais tarde, às 14:00.

Ribeirinhos ao longo do rio Amazonas.

No dia seguinte, os estivadores ainda trabalhavam colocando mais cargas no barco, tudo é feito manualmente e exige muita força, frutas, refrigerantes, comida, motos, motores, e o que couber no barco, de pouco a pouco tudo é organizado.

Estivador carregando uma saca de farinha para o barco.

Os passageiros começaram, as redes foram se multiplicando e os espaços livres diminuindo. Uma conversa qualquer com outro passageiro, uma trocar de olhar com uma mochileira, um ajuste na rede e já está quase na hora do barco sair.

Um dos barcos que se atracou com o nosso.

Venezuelanos, franceses, alemães, portugueses, paraenses, mineiros, paulistas, amazonenses, índios, jovens, idosos, crianças e dois cachorros, foi o que eu consegui identificar no barco.

Pescadores.

Hora da partida, cinco dias de viagem entre Manaus e Belém em um ritmo bem lento, acho engraçado como as pessoas ficam mais receptivas em situação de “confinamento”, ficam mais amigáveis, mais abertas, contam suas histórias, aliás o que mais escutei foram suas histórias, engraçadas, tragédias, alegres, “causos”, etc.

Em Santarém.

Havia o senhor que morava em Manaus e não via a sua família há 27 anos, que morava em Santarém, dizia que o tempo passou muito rápido, e ficou preso na rotina do dia a dia.

Partindo a noite, fim de viagem para alguns, começo para outros.

Havia o casal de venezuelanos, na verdade eram tio e a sobrinha, que depois de perderem tudo na Venezuela e passarem um tempo em Boa Vista, Roraima, estavam indo para São Luís, no Maranhão, em busca de trabalho, estavam achando impressionante a Amazônia, ela me dizia que agora percebia, que não precisava ser milionário para viajar, que apesar da dificuldade, estar viajando era uma coisa muito boa naquele momento. Com apenas 30 anos já possuía duas filhas que ficaram em Boa Vista junto com o esposo, iria trazê-las caso conseguisse uma melhor condição no Maranhão. Dava para perceber que era uma mulher muito forte. Tinham apenas uma rede e a noite ficavam revezando, enquanto um dormia na rede o outro ficava em uma cadeira, nada confortável, ainda mais com o vento frio da noite, de todas as pessoas que eu conversei durante a viagem ela foi a que mais me marcou.

Antes do nascer do sol.

Havia também uma família indígena da Venezuela, não falavam espanhol, conversavam em seu dialeto. A Venezuela está sofrendo um verdadeiro êxodo. Um dia, cansados de esperar a saída do barco de uma cidade, ligaram uma televisão e um dvd que carregavam em suas bagagens, para assistirem filmes, eu me juntei para assistir, era um filme chinês dublado em português, eles, com certeza, não entediam o que era falado, mas sempre davam gargalhadas em cenas de lutas.

Navegando pelo Amazonas.

Eu tinha, meio que esquecido, o quão gigante é o Rio Amazonas, tanto na sua extensão quanto a sua largura, é impressionante, a quantidade de água, é indescritível, em algumas partes parece que estamos em mar aberto.

Em um dos estreitos

A beleza contrasta com a pobreza dos ribeirinhos que vivem praticamente isolados e esquecidos. Em um das partes da viagem, quando o barco está próximo a Ilha do Marajó, próximo a cidade de Breves, diversas pessoas, principalmente crianças surgem em canoas pequenas enfrentando as ondas que o barco provoca pedindo ajuda, sacolas com roupas, comida ou algo que possa ser útil são arremessadas pelos passageiros.

Vendendo açaí


Vendedoras ribeirinhas



Criança subindo no barco para fazer vendas






Com chuva.


Crianças sozinhas na canoa com esperança de receberem alguma ajuda dos barcos que passam.

 As crianças nas canoas fazem um gesto com as mãos e fazem um som estranho com a boca, como se estivessem gemendo. Algumas encostam a canoa no barco para venderem farinha, açaí ou outra coisa.

Pedindo ajuda.


Criança sozinha na canoa esperando por ajuda.

Amarrando a canoa no barco para poder entrar e vender

Os rios na Amazônia são como estradas. A viagem de barco é lenta, é para quem não tem pressa de chegar, vive-se outro ritmo por alguns dias, é para meditar, pensar na vida, pensar no passado, no presente e no futuro, apreciar a natureza, conhecer outras histórias, conhecer pessoas que parecem livros. É uma verdadeira viagem, ela termina, mas as lembranças durarão para sempre.

Nascer do sol no Rio Amazonas no último dia de viagem

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