Sobre Montanhas: Quebrada Llaca, Cordillera Blanca, Peru.

Era a terceira vez que ia até a Quebrada Llaca, Quebrada significa “vale” e Llaca é o nome do glaciar e lagoa formado pelas montanhas Oschapalca e Ranrapalca que estão no vale.

A primeira vez que fui, saí de Huaraz um pouco tarde, às 09:30 mais ou menos, peguei uma van até o vilarejo de Marian, de lá fui caminanhando, o visual é incrível com montanhas por todos os lados.

No início do caminho.


A caminhada é um pouco exigente, o segredo é ir com calma, devagar apreciando toda a natureza em volta, aliás natureza e pressa não combinam.

Nesse dia tive que voltar mais cedo, pois haviam muitas nuvens se formado, e já estava um pouco tarde.

Na segunda vez, alguns dias depois voltei, saí de Huaraz às 07:00, cheguei bem cedo em Marian, a van me deixou 1,5km mais a frente, adiantou um pouco minha caminhada, não entendi muito bem porque subiu mais, acredito que era porque haviam mais passageiros que moravam acima do vilarejo.

O nevado se mostrando pela manhã, parece que está perto, mas ainda tem muita caminhada!

Comecei a caminhada, esse dia estava muito bonito com céu azul, os nevados não estavam encobertos por nuvens, todos visíveis.

Caminho das pedras, Quebrada Llaca à esquerda e Quebrada Quilcayhuanca a direita.


Vista da Quebrada Quilcayhuanca e Nevado Churup(5.493m)


Nevado Huantsán(6.369m), à direita do caminho.

Ao chegar no “portal” da Quebrada Llaca, mais uma vez fiquei impressionado, caminhando alguns quilômetros cheguei até uma pequena ponte onde o rio que se forma no glaciar passa, visual deslumbrante, continuei caminhando agora fora da estrada e pelo vale próximo do rio.

Próximo ao portal.


Placa de demarcação do Parque Nacional Huascarán à 3.965m de altitude.
 

Portal e a última curva antes de uma visão do paraíso.


Nevados Ocshapalca(5.888m) e Ranrapalca(6.162m) agora fazem parte do caminho.

Caminhava e pensava como um lugar poderia ser tão bonito daquele jeito, era simplesmente o paraíso na terra e estava ali na minha tudo na minha frente. Cada rocha, cada flor, cada árvore, cada curva do rio estavam perfeitamente organizados. A natureza sempre surpreende.

Pausa para um descanso.

Caminhei muito por esse vale explorando fazendo fotos, é uma energia sem igual. Sentei em uma rocha para comer um pouco, depois fiquei meditando ali, na verdade já estava meditando desde quando saí de Huaraz.

Quebrada Llaca


Corrente de água dos nevados


Flora da Cordillera Blanca

Fiquei lá por horas e horas apreciando todo aquele lugar, sem pressa, estava só ali, no presente, desconectado de tudo, em outro mundo, em uma viagem dentro da minha cabeça, é uma sensação muito boa, uma paz inigualável.

Tudo perfeito!


Água é vida!

Hora de partir, enquanto caminhava descendo para Huaraz já estava planejando a voltar a Llaca, mas dessa vez acampar lá, queria dormir lá, ver tudo aquilo sob estrelas, e foi o que eu fiz depois de alguns dias.

Vacas passeando. Isso mesmo, vacas!


Cidade de Huaraz distante ainda.


Árvore de Queñual(Polylepis).

Na terceira vez, fui para acampar, mochila cheia, comida, barraca, saco de dormir, mais roupas, tripé para a câmara, gás, panela, isolante térmico, estava bem pesada. Dessa vez a van parou 1,5Km abaixo, em Marian como na primeira vez que fui, estava com carga para trekking na mochila.

Chegando no vale, procurei um local para montar a barraca, achei ao lado de uma rocha enorme, ótimo para proteger do vento, à 4.200m de altitude.

A grande rocha e minha barraca à 4.200m.


Autorretrato. Bastante frio já. À 4.200m de altitude.

Fui fazer algumas fotos e depois que o “último raio” de sol atingiu a montanha Ranrapalca, fui fazer algo para comer, pois uma noite bem fria estava se aproximando.
 
Últimos raios de sol no nevado Raranpalca 6.162m

Dentro da barraca fiz chá, li um pouco, e tirei um cochilo rápido, quando acordei fiz outro chá, e comecei os preparos para sair da barraca. Quando abri o zipper da barraca, percebi que ela estava rígida, parecia vidro, era gelo, uma camada havia se formado na parede da barraca, bem fina, nessa hora eu pensei que viraria um picolé quando acordasse pela manhã haha. Saí do saco dormir, calcei as botas, luvas, jaqueta, toca, peguei o tripé e a câmara, quando vi aquele céu, foi incrível, todo estrelado, uma das coisas mais bonitas que já vi na minha vida. Estava eu ali e uma parte da galáxia do outro lado.

Hotel de 1 bilhão de estrelas!

Será que tem alguém lá do outro lado olhando para cá também?

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